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Hobbes e Locke foram contemporâneos às Revoluções Inglesas que marcaram quase todo o século XVII, caracterizadas principalmente pelo conflito entre a Coroa e o Parlamento. Esse período foi marcado por crises políticas, religiosas e econômicas. Foi nesse contexto de guerra civil e de uma sociedade carente de uma autoridade política central que Thomas Hobbes e John Locke, ambos ingleses, desenvolveram e escreveram suas teorias sobre o contrato social.
Considerando as teorias de contrato social de Thomas Hobbes e John Locke no contexto das Revoluções Inglesas, assinale a alternativa correta.
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Alternativa (C) - Para Hobbes, a solução para o estado de natureza era a criação de um governo absoluto, onde o soberano teria poderes ilimitados e os indivíduos abdicariam de todos os seus direitos, enquanto Locke defendia que os governados tinham o direito de resistir e substituir um governo que não respeitasse seus direitos naturais.
As Revoluções Inglesas do século XVII foram um período de intensa turbulência política, religiosa e social, que serviu como pano de fundo para o desenvolvimento das teorias de contrato social de Thomas Hobbes e John Locke. Ambos os filósofos buscaram responder à questão fundamental sobre a origem e a legitimidade da autoridade política, partindo de uma concepção sobre o "estado de natureza" e propondo diferentes soluções para a organização da sociedade e do Estado. Suas obras, "Leviatã" de Hobbes e "Dois Tratados sobre o Governo" de Locke, tornaram-se pilares do pensamento político moderno, influenciando debates sobre absolutismo, liberalismo e direitos individuais.
Thomas Hobbes (1588-1679), escrevendo em meio à Guerra Civil Inglesa, desenvolveu uma teoria do contrato social que partia de uma visão pessimista da natureza humana. Para Hobbes, o "estado de natureza" é uma condição de "guerra de todos contra todos" (bellum omnium contra omnes), onde a vida é "solitária, pobre, desagradável, brutal e curta". Não há moralidade, justiça ou propriedade. Para escapar a essa condição caótica e garantir a autopreservação, os indivíduos, por meio de um contrato social, concordam em abdicar de sua liberdade natural e transferir todos os seus direitos (exceto o de autodefesa em última instância) para um soberano absoluto. Este soberano, o Leviatã, deve possuir poder ilimitado e indivisível para impor a ordem e a segurança, sendo a única garantia contra o retorno ao estado de natureza. A desobediência ao soberano é, para Hobbes, pior do que qualquer tirania, pois leva à anarquia.
John Locke (1632-1704), vivendo um período um pouco posterior e influenciado pela Revolução Gloriosa, apresentou uma visão mais otimista do estado de natureza. Para Locke, no estado de natureza, os indivíduos são livres e iguais, guiados pela lei natural da razão, que lhes confere direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à propriedade (direitos naturais). Contudo, a ausência de um juiz imparcial e de um poder executivo para fazer cumprir a lei natural leva a inconveniências e conflitos potenciais. Assim, os indivíduos formam um governo através de um contrato social para proteger esses direitos naturais. O governo de Locke é, portanto, limitado, estabelecido pelo consentimento dos governados e sujeito à lei. Se o governo falha em proteger os direitos dos cidadãos ou age de forma tirânica, os governados têm o direito e o dever de resistir e substituí-lo.
Vamos analisar as alternativas à luz das teorias de Hobbes e Locke:
(A) Locke acreditava que o estado de natureza era uma condição de guerra de todos contra todos, onde a vida, a liberdade e a propriedade dos indivíduos estavam em constante ameaça, e por isso defendia a necessidade de um governo absoluto para manter a paz e a segurança.
(B) Hobbes e Locke compartilhavam a visão de que a autoridade política deveria ser exercida por um soberano absoluto, mas diferiam na forma de aquisição dessa autoridade: Hobbes acreditava na eleição pelo povo, enquanto Locke defendia a hereditariedade do poder.
(C) Para Hobbes, a solução para o estado de natureza era a criação de um governo absoluto, onde o soberano teria poderes ilimitados e os indivíduos abdicariam de todos os seus direitos, enquanto Locke defendia que os governados tinham o direito de resistir e substituir um governo que não respeitasse seus direitos naturais.
(D) Hobbes defendia que, para evitar o estado de natureza, era essencial que o governo se baseasse no consentimento dos governados, permitindo a participação direta dos cidadãos nas decisões políticas e limitando o poder do soberano através da criação de uma Constituição.
(E) Ambos os filósofos concordavam que a autoridade política deveria ser derivada do contrato social, mas divergiam sobre os meios para alcançá-la: Hobbes defendia uma monarquia constitucional com separação de poderes, enquanto Locke defendia uma democracia direta onde os cidadãos tinham o direito de votar em todas as leis.
As teorias de contrato social de Thomas Hobbes e John Locke, embora partindo de um ponto comum de necessidade de um Estado, divergem fundamentalmente em suas visões sobre a natureza humana, o estado de natureza e a forma e limites do poder governamental. Hobbes, influenciado pela anarquia da guerra civil, propôs um governo absoluto para garantir a paz e a segurança, com os indivíduos abdicando de seus direitos em favor do soberano. Locke, por sua vez, acreditava na existência de direitos naturais no estado de natureza e advogou por um governo limitado, baseado no consentimento dos governados e com o direito de resistência caso os direitos dos cidadãos fossem violados. Essas diferenças são cruciais para entender o desenvolvimento do pensamento político ocidental, com Hobbes lançando as bases para o absolutismo e Locke para o liberalismo e a democracia constitucional.
Alternativa (C).