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As primeiras obras historiográficas que tratavam do continente africano foram muito inspiradas pelo pensamento hegeliano, expressas na ideia que:
A África não é uma parte histórica do mundo. Não tem movimentos, progressos a mostrar, movimentos históricos próprios dela. Quer isto dizer que sua parte setentrional pertence ao mundo europeu ou asiático. Aquilo que entendemos precisamente pela África é o espírito a-hstórico, o espírito não desenvolvido, ainda envolto em condições de natural e que deve ser aqui apresentado apenas como no limiar da história do mundo.
Contudo, outras correntes historiográficas se desenvolveram do século XIX até os dias atuais. A respeito delas e de suas abordagens sobre a história africana, leia e analise as afirmações a seguir:
I. As primeiras correntes que trataram a história africana trataram de uma história dos europeus no continente africano e não uma História da África.
II. Com o desfecho das duas grandes guerras no seio da Europa, dita civilizada, novas abordagens históricas se desenvolveram e com elas novos olhares sobre a história africana.
III. Na segunda metade do século XX, muitos centros de estudos foram abertos no continente africano e neles, várias correntes historiográficas africanas se desenvolveram.
IV. Na atualidade, as correntes historiográficas são marcadas por um “afrocentrismo” que busca uma “identidade africana”, que tornaria a África una.
Está correto o que se lê em:
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Alternativa E - I, II, III e IV
Esta questão aborda a evolução da historiografia africana, desde as visões eurocêntricas até as perspectivas contemporâneas afrocentradas. Vamos analisar cada afirmação para identificar quais estão corretas.
As primeiras obras sobre África eram essencialmente eurocêntricas. Os historiadores europeus focavam nas atividades coloniais e na presença europeia, tratando a África como objeto passivo da história, não como sujeito histórico próprio. Isso reflete diretamente o pensamento hegeliano citado no enunciado.
Após a Primeira e Segunda Guerra Mundial, o processo de descolonização ganhou força. O enfraquecimento das potências europeias permitiu que novas perspectivas emergissem, questionando as narrativas coloniais tradicionais sobre a África.
A partir da segunda metade do século XX, com a independência de vários países africanos, surgiram universidades e centros de pesquisa no continente (como Universidade de Dakar, Universidade de Ibadan). Esses espaços permitiram o desenvolvimento de uma historiografia africana autônoma.
Atualmente, há forte tendência ao afrocentrismo na historiografia. Esse movimento busca resgatar a identidade africana, valorizar fontes locais e desconstruir visões coloniais. Embora exista diversidade interna na África, essa corrente realmente busca fortalecer uma consciência histórica comum.
| Período | Característica Principal | | --- | --- | | Século XIX-XXI início | Visão eurocêntrica/história dos europeus na África | | Pós-Guerras Mundiais | Novas abordagens, questionamento colonial | | Pós-Independência (déc. 60+) | Centros de estudos africanos, historiografia local | | Atualidade | Afrocentrismo, busca por identidade africana |
Todas as quatro afirmações refletem etapas reconhecidas na historiografia africana:
Portanto, está correto o que se lê em I, II, III e IV.
Alternativa E.