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Leia o trecho a seguir:
O modelo social da deficiência passou a ganhar espaço nas últimas décadas, substituindo uma concepção que tratava a deficiência apenas como um problema clínico ou funcional. Essa nova perspectiva entende que a deficiência não está apenas no corpo do indivíduo, mas na relação entre suas características [preencher 1] e o ambiente em que vive. Assim, se as estruturas, atitudes e serviços da sociedade forem adaptados de forma inclusiva, muitas pessoas deixam de experimentar barreiras. De acordo com essa visão, a deficiência é gerada pelas barreiras [preencher 2] que impedem a participação plena de todos.
Neste contexto, os termos [preencher 1] e [preencher 2] são corretamente substituídos por:
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Alternativa C - corporais; sociais
A questão aborda o Modelo Social da Deficiência, uma perspectiva que revolucionou a compreensão da deficiência, deslocando o foco de uma visão individualista e patológica para uma análise crítica das barreiras impostas pela sociedade. Este modelo é fundamental para o entendimento das políticas de inclusão e direitos humanos das pessoas com deficiência.
Historicamente, a deficiência foi entendida a partir de modelos caritativos ou médicos. O Modelo Caritativo via a pessoa com deficiência como um objeto de pena ou assistência, desprovido de autonomia. O Modelo Médico (ou clínico/biopsicossocial), predominante por muito tempo, conceitua a deficiência como um problema intrínseco ao indivíduo, uma condição clínica ou funcional que precisa ser "curada", "reabilitada" ou "normalizada". Neste modelo, a solução para a deficiência residiria na intervenção médica ou terapêutica para corrigir o que é percebido como um "defeito" no corpo ou mente da pessoa.
Em contraste, o Modelo Social da Deficiência, que ganhou força a partir das lutas do movimento das pessoas com deficiência, propõe que a deficiência não é inerente ao indivíduo em virtude de suas características físicas, sensoriais ou intelectuais (o que se denomina "impedimento" ou "deficiência física/sensorial/intelectual/psicossocial"), mas sim uma construção social. Segundo este modelo, o que gera a "deficiência" (como barreira à participação plena) são as barreiras sociais, atitudinais, arquitetônicas e de comunicação impostas por uma sociedade que não está preparada para acomodar a diversidade humana. Assim, a deficiência é vista como resultado da interação entre as características individuais e um ambiente hostil e excludente. A solução, portanto, não está em "consertar" o indivíduo, mas em adaptar a sociedade para que seja acessível e inclusiva para todos.
Vamos analisar o preenchimento dos espaços com base no Modelo Social da Deficiência:
| Espaço | Alternativa C (Correta) | Justificativa para (C) | Por que outras estão incorretas ou menos precisas | | :-------- | :---------------------- | :--------------------- | :------------------------------------------------ | | [preencher 1] | corporais | O Modelo Social reconhece que as pessoas têm características corporais (físicas, sensoriais, intelectuais, etc.) distintas. O ponto-chave é que essas características não são, por si só, a deficiência, mas sim a interação dessas características com um ambiente não adaptado que cria as barreiras e, consequentemente, a deficiência social. "Corporais" abrange as diferenças físicas, sensoriais, cognitivas, etc., do indivíduo, sem as estigmatizar como um "problema" intrínseco. | A - clínicas: Remete ao modelo médico, focado na patologia individual. <br> B - emocionais: É muito restrito; as características abordadas são mais amplas. <br> D - funcionais: Também remete ao modelo médico, focado na limitação de funcionalidade. <br> E - mentais: É muito restrito, não englobando todas as características. | | [preencher 2] | sociais | O cerne do Modelo Social é que a deficiência é gerada pelas barreiras sociais. Essas barreiras são multifacetadas e incluem: arquitetônicas (inacessibilidade de edifícios), atitudinais (preconceito, discriminação), comunicacionais (falta de Libras ou braile) e institucionais (políticas excludentes). Todas elas impedem a participação plena na sociedade. | A - urbanas: É muito restrito, limitando as barreiras ao ambiente urbano quando elas existem em todos os contextos. <br> B - financeiras: É um tipo de barreira, mas não a categoria abrangente. <br> D - físicas: Pode se referir às barreiras arquitetônicas, mas "sociais" é um termo muito mais amplo e preciso para englobar todas as formas de exclusão. <br> E - estruturais: É um tipo de barreira (relacionada às estruturas da sociedade), mas "sociais" é o termo guarda-chuva que engloba as barreiras estruturais, atitudinais e outras. |
A alternativa (C) se alinha perfeitamente com a proposta do Modelo Social da Deficiência, que enfatiza a mudança de paradigma do indivíduo para a sociedade. As características corporais de um indivíduo se tornam uma deficiência devido às barreiras sociais impostas pelo ambiente.
O trecho da questão descreve a essência do Modelo Social da Deficiência, que redefine a deficiência não como uma condição individual de falha ou doença, mas como um resultado da interação entre as características diversas dos indivíduos e as barreiras criadas pela sociedade. Ao preencher os espaços com "corporais" e "sociais", reconhecemos que as diferenças físicas ou mentais (características corporais) são uma parte natural da diversidade humana, e que a experiência da deficiência surge quando a sociedade não consegue acomodar essas diferenças, impondo barreiras que impedem a participação plena de todos.
Alternativa C.