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Analise os mapas. Variação no número total de estabelecimentos agropecuários por unidades da federação, 2006-2017 Variação no número de grandes estabelecimentos agropecuários por unidades da federação, 2006-2017 (Mateus A. P. Sampaio et al. “A expansão do agronegócio no Brasil”. In: Confins, no 45, 2020. Adaptado.) Considerando a questão agrária brasileira, os mapas demonstram

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Alternativa (C) - o aumento da concentração fundiária, especialmente na porção sul do país.
A questão aborda a dinâmica da estrutura fundiária brasileira, um tema central na questão agrária do país, que lida com a distribuição da posse e uso da terra. Os mapas fornecidos ilustram as variações no número de estabelecimentos agropecuários (total e grandes) entre os anos de 2006 e 2017, permitindo analisar tendências de concentração ou desconcentração de terras e o avanço de diferentes modelos de produção agrícola.
A estrutura fundiária do Brasil é historicamente marcada por uma alta concentração de terras, com grandes propriedades (latifúndios) coexistindo com uma miríade de pequenas e médias propriedades. O agronegócio, caracterizado pela produção em larga escala com uso intensivo de tecnologia e capital, tem impulsionado mudanças significativas no campo. A análise dos mapas nos permite observar dois fenômenos distintos, mas interligados:
Vamos analisar cada alternativa à luz das informações apresentadas nos mapas:
| Alternativa | Análise dos Mapas | Conclusão | | :---------- | :---------------- | :-------- | | (A) o avanço dos latifúndios, sobretudo em áreas tradicionais da região Nordeste. | O Mapa 2 mostra um aumento de grandes estabelecimentos (cores verdes) em algumas áreas do Nordeste, o que indica avanço do agronegócio e, por extensão, de latifúndios modernos. No entanto, o Mapa 1 mostra uma redução significativa do número total de estabelecimentos (laranja/vermelho) em grande parte da região Nordeste. A afirmação "sobretudo em áreas tradicionais" não é a principal ou mais forte conclusão geral dos mapas. O avanço de grandes estabelecimentos é mais generalizado. | Incorreta. Embora haja avanço de grandes estabelecimentos, a generalização regional "sobretudo no Nordeste" não é a mais precisa para o cenário geral e a redução do número total de estabelecimentos implica em mais do que apenas avanço de latifúndios. | | (B) a retração das áreas de agricultura empresarial, especialmente na região Centro-Oeste. | O Mapa 2 (grandes estabelecimentos) mostra um forte aumento (verde escuro) em todos os estados da região Centro-Oeste (MT, MS, GO). Essa região é o principal polo da agricultura empresarial e do agronegócio no Brasil. | Incorreta. Os mapas indicam expansão, não retração, da agricultura empresarial na região Centro-Oeste. | | (C) o aumento da concentração fundiária, especialmente na porção sul do país. | O Mapa 1 mostra uma intensa redução do número total de estabelecimentos (cores vermelhas e laranjas, indicando declínio > 10% e > 20%) em toda a região Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul). Isso significa que muitas pequenas e médias propriedades rurais foram extintas ou incorporadas. O Mapa 2 mostra um aumento (verde claro) no número de grandes estabelecimentos na mesma região. A combinação de menos estabelecimentos no geral e mais (ou manutenção) de grandes estabelecimentos demonstra um processo claro de concentração de terras, onde propriedades menores são absorvidas ou desativadas, e a terra é consolidada em propriedades maiores. A expressão "especialmente na porção sul do país" é bem fundamentada pela acentuada redução do número total de estabelecimentos nessa região. | Correta. Os dados convergem para a consolidação de terras e o aumento da concentração fundiária, com evidências claras na região Sul. | | (D) a redução das áreas sujeitas à grilagem de terras, principalmente nos estados da região Norte. | O Mapa 2 mostra um aumento significativo (verde escuro) no número de grandes estabelecimentos na região Norte. A grilagem de terras é um problema histórico e atual na Amazônia, associado à expansão, muitas vezes ilegal, de grandes propriedades. Um aumento de grandes estabelecimentos no Norte, frequentemente ligada ao avanço da fronteira agrícola, tende a indicar uma expansão, e não redução, das áreas vulneráveis à grilagem. | Incorreta. A expansão de grandes propriedades na região Norte é mais associada à persistência ou aumento da grilagem, e não à sua redução. | | (E) o declínio da atividade rural, sobretudo nas áreas interioranas. | Embora o Mapa 1 mostre uma redução no número de estabelecimentos em muitas áreas interioranas, o Mapa 2 indica um aumento no número de grandes estabelecimentos. Isso sugere uma mudança no modelo produtivo (consolidação e intensificação), e não necessariamente um "declínio da atividade rural" como um todo. Grandes estabelecimentos tendem a ser mais produtivos e tecnificados, mesmo que em menor número, podendo manter ou até aumentar a produção agrícola total. | Incorreta. Os mapas indicam reestruturação da atividade rural com consolidação de terras, e não um declínio generalizado da atividade. |
Os mapas revelam uma tendência marcante na estrutura agrária brasileira entre 2006 e 2017: uma diminuição generalizada no número total de estabelecimentos agropecuários, combinada com um aumento no número de grandes estabelecimentos. Esse cenário aponta diretamente para um processo de concentração fundiária, onde a terra se torna propriedade de um número menor de detentores, expandindo o agronegócio em detrimento de propriedades menores. A região Sul do Brasil se destaca nesse processo, exibindo a mais acentuada redução de estabelecimentos totais, o que, em conjunto com o crescimento ou manutenção de grandes propriedades, solidifica a ideia de concentração de terras nessa porção do país.
Alternativa (C).