Carregando...
Carregando...
Ajude a melhorar a plataforma
Considere o poema do livro A cinza das horas, de Manuel Bandeira. Oceano Olho a praia. A treva é densa. Ulula o mar, que não vejo, Naquela voz sem consolo, Naquela tristeza imensa Que há na voz do meu desejo. E nesse tom sem consolo Ouço a voz do meu destino: Má sina que desconheço, Vem vindo desde eu menino, Cresce quanto em anos cresço. — Voz de oceano que não vejo Da praia do meu desejo... (Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1993) Acerca desse poema, está correto o que se afirma em:

Explique melhor esta questão
Abre o Tutor com o enunciado e as alternativas já no campo — você revisa e envia.
Esta questão foi verificada por um de nossos administradores.
Alternativa D - Os versos metrificados denunciam a adesão à poesia tradicional, a qual foi posteriormente criticada pelo Modernismo de 1922.
A questão aborda o poema "Oceano" de Manuel Bandeira, extraído do livro A cinza das horas, publicado em 1917. Este período é crucial para entender a transição da literatura brasileira, antecedendo a eclosão do Modernismo em 1922. A análise do poema exige conhecimento das características formais e temáticas dos movimentos literários da época e das propostas modernistas.
Manuel Bandeira é um dos grandes nomes do Modernismo brasileiro, mas sua obra inicial, como A cinza das horas, reflete as influências estéticas do final do século XIX e início do XX, como o Parnasianismo e o Simbolismo. O poema em questão, "Oceano", exibe um tom melancólico e intimista, característico da poesia subjetiva, e uma atenção à forma que era valorizada pelas escolas anteriores ao Modernismo.
O Modernismo, que teve seu marco inicial na Semana de Arte Moderna de 1922, buscou romper com as tradições estéticas e formais. Seus pilares incluíam a liberdade de expressão, o verso livre (sem métrica regular), a abolição da rima fixa, a linguagem coloquial e a valorização da cultura brasileira. A crítica aos modelos anteriores, especialmente ao Parnasianismo, que era visto como excessivamente formalista e alienado da realidade brasileira, foi um ponto central do movimento.
Vamos analisar cada alternativa à luz do poema e do contexto literário:
A) A representação da natureza segue as lições do Manifesto Antropófago, que buscava um Brasil primitivo, indiferente ao progresso.
B) A ausência de rimas deixa perceber o modo como o poema antecipa uma linguagem que será a marca registrada dos poetas modernistas.
C) A descrição realista e a ausência da linguagem figurada são traços que ligam o poema à poesia parnasiana, ridiculizada na Semana de 22.
D) Os versos metrificados denunciam a adesão à poesia tradicional, a qual foi posteriormente criticada pelo Modernismo de 1922.
E) O tom intimista dos versos é condizente com a poesia realista, embora a descrição objetiva do oceano seja própria do Simbolismo.
O poema "Oceano" de Manuel Bandeira, publicado antes da Semana de Arte Moderna, ilustra a fase em que o poeta ainda se alinhava a convenções poéticas tradicionais, como a métrica. Essa escolha formal seria, a partir de 1922, um dos alvos da crítica e da ruptura promovida pelo Modernismo, que defendia a liberdade formal, o verso livre e uma linguagem mais coloquial. A alternativa (D) capta corretamente essa relação temporal e estética entre a obra inicial de Bandeira e o movimento modernista posterior.
Alternativa D.