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Contribui para o efeito de humor da tirinha o recurso

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Alternativa (C) - à personificação: a atribuição de características humanas a seres inanimados ou irracionais.
A questão aborda o papel das figuras de linguagem na construção do humor em textos, especificamente em uma tirinha. As figuras de linguagem são recursos estilísticos que conferem maior expressividade e significado às mensagens, e muitas vezes são exploradas para criar efeitos cômicos, irônicos ou reflexivos, especialmente em gêneros como tirinhas e cartuns, que utilizam a concisão e a imagem para transmitir ideias.
A tirinha em questão apresenta um cenário onde um cachorro, ao invés de simplesmente esperar pelo seu dono, assume uma postura e um pensamento tipicamente humanos. O humor é gerado pela quebra de expectativa e pela inversão de papéis.
A figura de linguagem central para a compreensão do humor na tirinha é a personificação, também conhecida como prosopopeia. Este recurso consiste em atribuir características, sentimentos, ações ou qualidades humanas a seres inanimados, animais ou conceitos abstratos. Ao fazer isso, o autor confere uma nova dimensão ao objeto ou ser personificado, tornando-o mais próximo da experiência humana e, frequentemente, gerando efeitos de estranhamento, ironia ou, como neste caso, humor.
No contexto da tirinha, o cachorro não apenas segura a guia na boca, o que já é uma ação que denota iniciativa (geralmente o humano segura a guia), mas ele também verbaliza (através de um balão de pensamento) uma queixa tipicamente humana: "Sei que sou o cachorro... Mas já me cansei de sempre dar a pata!". Essa frase revela cansaço, tédio com uma rotina e até um desejo de subverter a ordem, características que são inequivocamente humanas e não se esperariam de um cão.
Vamos analisar as alternativas propostas e sua relação com a tirinha:
| Alternativa | Figura de Linguagem | Definição | Relação com a Tirinha | | :---------- | :------------------ | :-------- | :-------------------- | | (A) | Antítese | Oposição, em uma mesma expressão ou frase, de duas palavras ou ideias de sentido contrário. Exemplo: "Ela chorava e ria ao mesmo tempo." | Não há uma oposição de ideias ou palavras com sentidos contrários evidentes na fala do cachorro que seja o motor do humor. A frase expressa uma frustração, não uma oposição direta. | | (B) | Eufemismo | A atenuação do sentido desagradável de uma palavra ou de uma expressão, para suavizar uma ideia. Exemplo: "Ele partiu desta para melhor" (em vez de "morreu"). | A fala do cachorro não busca suavizar nada; pelo contrário, expressa um descontentamento de forma direta e inusitada para um animal. | | (C) | Personificação | A atribuição de características, sentimentos, ações ou qualidades humanas a seres inanimados ou irracionais. Exemplo: "O vento sussurrava segredos." | CORRETA. O cachorro manifesta cansaço, tédio e o desejo de não cumprir mais sua "obrigação" de "dar a pata", assumindo uma atitude e um discurso humanizados. Ele age e pensa como um ser humano entediado com uma rotina. | | (D) | Pleonasmo | A repetição desnecessária de palavras ou expressões para enunciar uma ideia, com o objetivo de reforçá-la (pleonasmo vicioso) ou por recurso estilístico (pleonasmo enfático). Exemplo: "Subir para cima." | Não há repetição redundante de palavras ou ideias na fala do cachorro. A frase é concisa em sua expressão de descontentamento. | | (E) | Hipérbole | A ênfase resultante do exagero na expressão ou comunicação de uma ideia. Exemplo: "Morri de tanto rir." | Embora a reclamação do cachorro possa ser vista como uma forma de exagero em termos do que se espera de um animal, o recurso principal que gera humor não é apenas a ênfase exagerada, mas a capacidade do cachorro de ter e expressar tal pensamento. O exagero está dentro da personificação, não é a figura principal. A hipérbole seria se ele dissesse "Nunca mais na vida vou dar a pata, me cansei por mil anos!", mas a essência do humor é a humanização da queixa. |
O humor da tirinha reside precisamente na quebra da expectativa do leitor ao ver um animal de estimação expressando uma queixa com a qual muitos humanos podem se identificar, a respeito de rotinas e obrigações. Essa humanização do comportamento canino é o cerne da personificação.
O efeito de humor na tirinha é predominantemente construído pelo uso da personificação. Ao atribuir ao cachorro a capacidade de ter pensamentos complexos como "estar cansado de sempre dar a pata" e a iniciativa de segurar a guia, o autor subverte a lógica e as expectativas do leitor, criando uma cena inusitada e cômica. As outras figuras de linguagem listadas não descrevem o mecanismo principal pelo qual o humor é gerado nesta situação específica.
Alternativa (C).