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Alternativa C - o cronista censura o amigo por este se mostrar incapaz de desfrutar, de modo desinteressado, a aquisição do quadro almejado.
A questão aborda a interpretação de um trecho de crônica, solicitando que se depreenda a principal mensagem ou a postura do cronista em relação aos fatos narrados. O texto apresenta um dilema ético envolvendo a compra de uma obra de arte, a situação financeira do pintor e a motivação do comprador, convidando à reflexão sobre a pureza do prazer estético versus a influência de interesses financeiros e morais.
O texto narra a história de um amigo que, há muito tempo, desejava um quadro de um certo pintor. O pintor, em dificuldades financeiras, oferece a obra por um preço baixo. Contudo, o amigo, mesmo reconhecendo a beleza do quadro, oferece metade do preço já reduzido. Após a recusa do pintor, o amigo justifica sua decisão de não comprar o quadro, afirmando que, embora o valor estético fosse alto ("valeria o dobro do preço inicial"), sua consciência o impediria de ter "prazer puro" ao adquiri-lo por um valor tão irrisório, pois sentiria que se aproveitou da situação do pintor.
O cerne da crônica reside na incapacidade do amigo de conciliar seu desejo pela obra de arte com a ética da transação. Ele verbaliza que o prazer da posse seria maculado pelo sentimento de exploração. A expressão "prazer puro" e a preocupação com a "consciência" são cruciais para entender sua atitude e, por extensão, a visão crítica implícita do cronista. O prazer estético genuíno, muitas vezes associado à fruição "desinteressada" (ou seja, sem segundas intenções, sem busca de lucro ou aproveitamento da situação alheia), é impedido pela sua própria tentativa de barganha desvantajosa para o artista.
Vamos analisar cada alternativa à luz do texto:
(A) o cronista censura o amigo por este ter oferecido pouco dinheiro pelo quadro de um pintor que enfrentava dificuldades financeiras.
(B) o cronista enaltece o amigo por este se mostrar capaz de separar o prazer decorrente da compra de um quadro do prazer advindo da pura fruição estética.
(C) o cronista censura o amigo por este se mostrar incapaz de desfrutar, de modo desinteressado, a aquisição do quadro almejado.
(D) o cronista estimula o amigo a concluir a compra do quadro por ter uma relação de amizade com o pintor.
(E) o cronista enaltece o amigo por este se mostrar disposto a adquirir o quadro de um pintor que enfrentava dificuldades financeiras.
A crônica, através da narrativa do dilema do amigo, revela uma crítica sutil, mas profunda, à forma como o interesse financeiro e a busca por vantagem podem corromper a capacidade de uma pessoa de desfrutar genuína e eticamente de algo que deseja. O cronista expõe a contradição entre o desejo estético e a falha moral, evidenciando que a tentativa de agir de forma oportunista impediu o amigo de alcançar o "prazer puro" e desinteressado que a arte poderia lhe proporcionar.
Alternativa C.