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Venha até São Paulo ver o que é bom pra tosse
venha até São Paulo dance e pule o rock and rush
entre no meu carro vamos ao largo do Arouche
Liberdade é bairro mas é como Japão fosse
Venha nesse embalo concrete fax telex
igreja praça da Sé faça logo sua prece
quem vem pra São Paulo, meu bem, jamais se esquece
não tem intervalo tudo depressa acontece
Vai e vem e tchan e tchun êta sobe e desce
gente do nordeste do norte aqui no sudeste
batalhando nesse mundaréu de mundo que só cresce
[que só carece que só carece que só cresce.]
(Pretobrás: por que que eu não pensei nisso antes?, 2006. Adaptado.)
Em “Venha até São Paulo”, há associação de duas palavras com semelhança fônica e significados diferentes no verso:

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Alternativa (E) - "batalhando nesse mundaréu de mundo que só cresce que só carece"
A questão proposta explora a identificação de uma figura de linguagem específica presente no poema "Pretobrás: por que que eu não pensei nisso antes?". Mais precisamente, busca-se um verso que evidencie a associação de duas palavras com notável semelhança fônica (sons parecidos) e, ao mesmo tempo, significados distintos. Este tipo de construção é um recurso estilístico comum na literatura, conhecido como paronomásia ou paronímia.
A paronomásia é uma figura de linguagem que consiste na aproximação de palavras parônimas, ou seja, termos que possuem sonoridade semelhante, mas significados diferentes. O objetivo é criar um efeito de sentido, seja por contraste, ambiguidade, ironia, ou para intensificar uma ideia, explorando a proximidade sonora para ressaltar a diferença semântica. Frequentemente, a paronomásia convida o leitor a uma reflexão sobre a multiplicidade de sentidos e as nuances da linguagem. É uma técnica que enriquece a expressividade do texto, tornando-o mais vívido e instigante.
Vamos analisar cada alternativa à luz da definição de paronomásia:
| Alternativa | Análise | | :----------------------------------------------------------- | :-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- | | (A) “Venha até São Paulo ver o que é bom pra tosse” (1ª estrofe) | Não há, neste verso, a associação de duas palavras com semelhança fônica e significados diferentes. As palavras usadas seguem um fluxo direto de sentido, sem exploração de paronímia. | | (B) “entre no meu carro vamos ao largo do Arouche” (1ª estrofe) | Similarmente à alternativa (A), este verso não apresenta um par de palavras que se encaixe na descrição de semelhança fônica e distinção de significado com o propósito de criar um efeito de sentido. | | (C) “Liberdade é bairro mas é como Japão fosse” (1ª estrofe) | Não há um jogo de palavras por semelhança sonora e diferença de significado. A comparação entre o bairro da Liberdade e o Japão é uma metáfora ou comparação, não uma paronomásia. | | (D) “gente do nordeste do norte aqui no sudeste” (3ª estrofe) | Embora as palavras "nordeste", "norte" e "sudeste" compartilhem um elemento morfológico ("este") e sejam regiões geográficas, elas não configuram um caso de paronomásia no sentido buscado pela questão. A semelhança é morfológica e referencial (direções/regiões), mas não criam um jogo de palavras com significados diferentes explorando a sonoridade para um efeito retórico de contraste ou ambiguidade. São termos complementares, não contrastantes foneticamente. | | (E) “batalhando nesse mundaréu de mundo que só cresce que só carece” (3ª estrofe) | Este verso apresenta a combinação perfeita. As palavras "cresce" (do verbo crescer, aumentar) e "carece" (do verbo carecer, faltar, precisar) possuem grande semelhança fônica, sendo quase um anagrama parcial, e, ao mesmo tempo, significados opostos e contrastantes. A sonoridade similar realça o paradoxo do "mundaréu de mundo que só cresce [em tamanho, complexidade] que só carece [de recursos, justiça, etc.]", criando um poderoso efeito de sentido. |
A alternativa (E) exemplifica classicamente a paronomásia, onde a proximidade sonora entre "cresce" e "carece" serve para sublinhar a contradição e a crítica social implícita na ideia de um mundo que se expande, mas ao mesmo tempo sofre de carências profundas.
A análise demonstra que a alternativa (E) é a única que apresenta um par de palavras ("cresce" e "carece") com nítida semelhança fônica e significados distintos e até opostos, criando um recurso estilístico intencional conhecido como paronomásia. Este jogo de palavras enriquece o texto, provocando reflexão sobre o crescimento e as privações do "mundaréu de mundo" descrito no poema.
Alternativa (E).