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Formado inicialmente por profissionais liberais ligados a setores urbanos, o Partido Republicano foi reforçado em 1873 por novos adeptos: fazendeiros paulistas que, descontentes com o que consideravam ser uma política intervencionista do Estado, passaram a engrossar as fileiras de oposição à monarquia. Além do mais, com o predomínio do café na região, São Paulo ia se tornando a província mais rica da União, sem a correspondente representação no Parlamento. (Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia, 2015. Adaptado.) A adesão dos fazendeiros paulistas ao movimento republicano está associada, entre outros fatores,

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Alternativa C - à crítica sobre a reduzida autonomia provincial vigente no Império.
A questão aborda a adesão de fazendeiros paulistas ao movimento republicano no Brasil Imperial, especificamente a partir de 1873. O texto contextualiza essa adesão com base em descontentamentos específicos desses grupos, que culminaram na busca por um novo modelo político para o país.
O Segundo Reinado no Brasil (1840-1889) foi marcado por uma estrutura política fortemente centralizada, com grande poder nas mãos do imperador e do governo central sediado no Rio de Janeiro. As províncias possuíam pouca autonomia administrativa e financeira, sendo suas decisões frequentemente subordinadas à metrópole.
No final do século XIX, a economia brasileira experimentava significativas transformações, com o café emergindo como o principal produto de exportação, e São Paulo se consolidando como a província mais próspera do Império. Os fazendeiros cafeicultores, detentores de grande poder econômico, passaram a questionar a falta de representatividade e a intervenção do governo central em suas questões.
O Partido Republicano, que inicialmente atraía profissionais liberais urbanos, encontrou nesses fazendeiros paulistas novos e importantes aliados. As razões para essa adesão, conforme o texto, incluíam a insatisfação com a "política intervencionista do Estado" e a percepção de que São Paulo, apesar de ser a província mais rica, não possuía a "correspondente representação no Parlamento". Esses pontos são cruciais para entender a motivação por trás da migração política desses grupos para a causa republicana, que prometia um modelo federalista com maior autonomia para as províncias.
Vamos analisar cada alternativa à luz do texto e do contexto histórico:
| Alternativa | Análise | Relação com o Texto e Contexto | | :---------- | :------ | :------------------------------- | | (A) à demora do imperador em aprovar a abolição da escravidão. | Incorreta. Embora a questão da escravidão fosse central no fim do Império, em 1873 muitos fazendeiros ainda dependiam da mão de obra escrava. A adesão de fazendeiros ao republicanismo por descontentamento com a abolição geralmente ocorreu após a Lei Áurea (1888), quando se sentiram "abandonados" pela monarquia. O texto da questão foca em 1873 e nas queixas de intervencionismo e representação, não na abolição como motivo principal para a adesão republicana naquele momento. | O texto destaca descontentamento com "política intervencionista" e "falta de representação", não a abolição. | | (B) ao déficit público provocado pelas medidas positivistas de governo. | Incorreta. O positivismo teve influência em setores militares e intelectuais, e posteriormente na República, mas o texto não menciona déficit público ou medidas positivistas como causa do descontentamento dos fazendeiros em 1873. As queixas apontadas são de natureza política e de autonomia, não fiscal ou filosófica positivista. | O texto não faz menção a positivismo ou déficit público. | | (C) à crítica sobre a reduzida autonomia provincial vigente no Império. | Correta. Esta alternativa alinha-se perfeitamente com as razões apresentadas no texto. A "política intervencionista do Estado" é uma clara referência à centralização do poder imperial e à falta de autonomia das províncias. A queixa de São Paulo, a província mais rica, não ter "correspondente representação no Parlamento" demonstra o desejo por maior poder decisório e autogoverno local, ou seja, maior autonomia provincial. O federalismo, bandeira do movimento republicano, prometia exatamente isso: maior autonomia para os estados (antigas províncias). | O texto cita "política intervencionista do Estado" e "sem a correspondente representação no Parlamento" para a província mais rica, que são queixas diretas sobre a falta de autonomia provincial. | | (D) à hegemonia da burguesia industrial na estrutura de poder. | Incorreta. No Brasil do século XIX, especialmente em 1873, a economia era predominantemente agrária, e a burguesia industrial era incipiente e não hegemônica. O poder econômico e político estava nas mãos da elite agrária, os fazendeiros, especialmente os cafeicultores, que estavam buscando aumentar sua influência política, não reagindo a uma hegemonia industrial. | O contexto histórico de 1873 no Brasil não corresponde a uma hegemonia da burguesia industrial. |
A adesão dos fazendeiros paulistas ao movimento republicano, conforme descrito no texto, foi motivada principalmente pelo desejo de maior autonomia para a província de São Paulo e pela insatisfação com a centralização política do Império. Eles almejavam um modelo de governo que lhes garantisse maior participação e poder de decisão sobre seus próprios assuntos, em consonância com sua crescente força econômica. A alternativa (C) captura de forma precisa essa demanda por maior autonomia provincial, que foi um dos pilares do movimento republicano no Brasil.
Alternativa C.