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Leia o texto, material 1, e considere a charge, material 2, para responder à questão. MATERIAL 1: Noventa milhões em ação Pra frente Brasil, no meu coração Todos juntos, vamos pra frente Brasil Salve a seleção! De repente é aquela corrente pra frente, parece que todo o Brasil deu a mão! Todos ligados na mesma emoção, tudo é um só coração! Todos juntos, vamos pra frente Brasil! (Pra frente, Brasil. Miguel Gustavo, 1970) MATERIAL 2: Charge de Jaguar publicada no Pasquim, em 1982 (Disponível em: https://goo.gl/qYnXuH) A partir da análise dos dois materiais, é correto afirmar que a charge de Jaguar ironiza

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Alternativa E - a relação entre futebol, política e sociedade no contexto da ditadura militar.
A questão proposta solicita uma análise da relação entre dois materiais – uma letra de canção popular e uma charge – para identificar a ironia central expressa na charge. Ambos os materiais remetem ao período da ditadura militar no Brasil (1964-1985) e à forte conexão entre o futebol e a política naquele contexto, especialmente a forma como o regime utilizava o esporte para seus próprios fins.
O Material 1, a letra da canção "Pra Frente, Brasil", de Miguel Gustavo (1970), é um hino icônico do período do "Milagre Econômico" e da Copa do Mundo de 1970, vencida pela seleção brasileira. A letra exalta o patriotismo, a união nacional ("Todos juntos", "mesma emoção", "um só coração") e o otimismo ("Pra frente Brasil"), utilizando o sucesso do futebol como metáfora e motor para um suposto progresso do país. Essa canção foi amplamente utilizada pela propaganda do regime militar para desviar a atenção da repressão política e promover uma imagem de prosperidade e coesão nacional sob sua égide.
O Material 2 é uma charge de Jaguar publicada no jornal "Pasquim" em 1982. O "Pasquim" era conhecido por sua postura crítica e de oposição à ditadura militar, utilizando o humor e a sátira como ferramentas de contestação. A charge mostra um jogador de futebol chutando uma bola que representa o Brasil em direção a um gol marcado com a palavra "DITADURA". A plateia ao fundo, vibrando, reforça a ideia da paixão nacional pelo futebol.
A ironia da charge de Jaguar reside na contraposição direta com a mensagem de união e otimismo veiculada pela canção "Pra Frente, Brasil" e pela propaganda oficial. Enquanto a canção sugere que o futebol levaria o Brasil para "frente", a charge revela o destino manipulado desse fervor nacional.
Analisando as alternativas:
A charge de Jaguar, ao confrontar a retórica ufanista da canção "Pra Frente, Brasil", ironiza de forma pungente a estratégia da ditadura militar de utilizar a paixão nacional pelo futebol como uma ferramenta de propaganda, desvio de atenção e legitimação de seu próprio poder. A imagem do Brasil sendo "chutado" em direção à ditadura é uma crítica mordaz à instrumentalização do esporte e da identidade nacional para fins autoritários, revelando a complexa e muitas vezes manipuladora relação entre futebol, política e sociedade durante aquele período.
Alternativa E.