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Não se pode numerar nem compreender a multidão de bárbaro gentio que semeou a natureza por toda esta terra do Brasil; porque ninguém pode pelo sertão dentro caminhar seguro, nem passar por terra onde não acha povoações de índios armados contra todas as nações humanas, e assim como são muitos permitiu Deus que fossem contrários uns dos outros, e que houvesse entre eles grandes ódios e dis- córdias, porque se assim não fosse os portugueses não po- deriam viver na terra nem seria possível conquistar tamanho poder de gente. (Pero de Magalhães Gandavo. Tratado da Terra do Brasil, 2008.) O excerto, produzido em meados do século XVI, destaca

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Alternativa D - as rivalidades entre os indígenas como fator favorável à colonização.
O excerto de Pero de Magalhães Gandavo, um dos primeiros cronistas do Brasil colonial, oferece uma perspectiva valiosa sobre as dificuldades e as estratégias implícitas na colonização portuguesa no século XVI. O texto reflete a visão europeia da época sobre os povos indígenas e os desafios de ocupação do território.
No período inicial da colonização do Brasil, os portugueses enfrentaram uma vasta e diversa população indígena, muitas vezes hostil à sua presença. A superioridade numérica e a resistência desses povos representavam um grande desafio para os colonizadores. O trecho analisado revela um aspecto crucial da estratégia portuguesa, que, embora não necessariamente consciente ou planejada em todos os detalhes, foi percebido como uma "bênção divina" pelo cronista: as divisões e rivalidades internas entre as diversas nações indígenas.
O relato de Pero de Magalhães Gandavo ilustra a percepção portuguesa da época sobre a realidade da colonização, reconhecendo a força da resistência indígena, mas também destacando como as rivalidades internas entre os povos nativos foram um elemento fundamental que, na visão dos colonizadores, permitiu a sua permanência e avanço no território brasileiro.
Alternativa D.