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Nesse trecho do poema, o eu lírico

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Alternativa (E) - refere-se à estratégia de construção do próprio poema, afirmando a liberdade de criação artística.
O trecho em questão pertence ao poema "Procura da Poesia" de Carlos Drummond de Andrade, uma obra metalinguística que reflete sobre a própria natureza da poesia e o processo de criação poética. O eu lírico assume uma postura didática, orientando o leitor (ou um poeta em potencial) sobre o que a poesia não é e, principalmente, o que ela é, em sua essência.
Drummond, um dos maiores expoentes da literatura brasileira, frequentemente abordava em sua poesia questões existenciais, sociais e, como neste caso, a própria arte de poetizar. Neste fragmento de "Procura da Poesia", o eu lírico desmistifica a ideia de que a poesia é meramente um registro de eventos ou sentimentos superficiais. Ele afasta a poesia do factual ("Não faças versos sobre acontecimentos", "Os fatos pessoais não contam") e do utilitário ("Não é a poesia que te vai salvar"). Em vez disso, ele a eleva a um patamar de "invenção da realidade", um ato de criação que transcende o mundo concreto e tangível.
A concepção drummondiana de poesia, conforme expressa no texto, enfatiza a liberdade do criador em moldar e reinventar o mundo, não apenas em copiá-lo. A etimologia da palavra "poesia" ("do grego poiesis") é explicitamente mencionada, remetendo ao sentido de "fazer", "criar", "produzir". Essa "invenção da realidade" não é um escape, mas uma forma ativa de viver e dar sentido, de "Buscar em teu eu o que a realidade não te oferece". O eu lírico está, assim, construindo um manifesto sobre a autonomia e a capacidade transformadora da arte poética.
Vamos analisar cada alternativa à luz do poema:
(A) emprega a primeira pessoa como modo de expressar de maneira clara suas ideias e sentimentos mais íntimos.
(B) tenta convencer o leitor de que a linguagem poética requer rimas ricas, ou seja, que ocorrem entre palavras de classes gramaticais diferentes.
(C) afirma que a escolha da palavra exata é fundamental para a construção de um bom poema.
(D) defende que o som das palavras é um elemento pouco importante, que pode ser desconsiderado na elaboração de um poema.
(E) refere-se à estratégia de construção do próprio poema, afirmando a liberdade de criação artística.
O poema de Drummond, neste fragmento, é um poderoso manifesto sobre a autonomia da arte poética. O eu lírico não apenas expõe sua visão sobre o que a poesia é — uma "invenção da realidade" —, mas também utiliza o próprio poema para demonstrar essa ideia, tornando-o um exemplo prático da liberdade e da estratégia de criação artística que defende. Ele se volta para dentro do processo criativo, definindo a poesia como um ato de invenção e não de mera representação, reforçando a liberdade do artista.
Alternativa (E).