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O cronista dirige-se diretamente a seu leitor no seguinte trecho:

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Alternativa (B) - “Vejam que país, que tempo, que situação!”
A questão proposta solicita a identificação de um trecho em que o cronista estabelece uma comunicação direta com seu leitor. Em gêneros textuais como a crônica, que frequentemente explora a subjetividade e a proximidade com o cotidiano, a interação direta com o leitor é uma estratégia comum para engajar, provocar reflexão ou compartilhar uma percepção.
A comunicação direta em um texto ocorre quando o autor se dirige explicitamente ao seu público-alvo, quebrando a barreira da narrativa impessoal e criando uma sensação de diálogo. Essa interação pode ser mediada por diversos recursos linguísticos, como:
Vamos examinar cada alternativa para identificar qual delas apresenta uma comunicação direta do cronista com o leitor:
| Alternativa | Trecho | Análise da Comunicação | Comunicação Direta? | | :---------- | :--------------------------------------------------------------------- | :----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- | :------------------ | | (A) | “Um amigo meu estava ofendido porque um jornal o chamou de boa-vida.” | Este trecho é uma narrativa descritiva, em terceira pessoa, relatando um evento ocorrido com um terceiro ("um amigo meu"). O cronista está contando um fato, sem se dirigir diretamente ao leitor. É uma exposição de informação, e não uma interpelação. | Não | | (B) | “Vejam que país, que tempo, que situação!” | A palavra "Vejam" é um verbo no modo imperativo, na segunda pessoa do plural. O uso do imperativo é uma forma explícita de convidar ou até mesmo comandar o leitor a observar, a refletir ou a considerar algo. As exclamações reforçam o caráter de apelo e engajamento. Este é um claro exemplo de comunicação direta, pois o leitor é convocado a uma ação mental ou observação. | Sim | | (C) | “A vida deveria ser boa para toda gente; o que é insultuoso é que ela o seja apenas para alguns.” | Esta é uma afirmação de caráter opinativo e reflexivo do cronista. Embora seja uma declaração de seu pensamento, ela não utiliza vocativos, imperativos ou pronomes de segunda pessoa para interpelar diretamente o leitor. É uma constatação do autor que o leitor acompanha, mas não uma conversa direta. | Não | | (D) | “Foi um homem que a vida inteira viveu de seu trabalho, e se chamava Bernard Shaw.” | Este trecho apresenta uma informação factual sobre uma figura histórica, Bernard Shaw, que serve como exemplo ou base para a argumentação do cronista. Trata-se de uma parte da exposição do autor, sem qualquer recurso que indique uma comunicação direta ou uma solicitação ao leitor. | Não | | (E) | “Vi, há tempos, um conhecido meu, que se tornou muito rico, sofrer horrorosamente na hora de comprar um qua- dro.” | Aqui, o cronista narra uma experiência pessoal ("Vi, há tempos..."), descrevendo um acontecimento envolvendo um conhecido. É um relato em primeira pessoa, com foco na vivência do autor e na descrição de outrem, sem que o leitor seja explicitamente incluído ou endereçado no discurso. | Não |
A análise demonstra que apenas a alternativa (B) utiliza um verbo no imperativo ("Vejam"), o que constitui um recurso inequívoco de comunicação direta, convidando o leitor a compartilhar a observação ou a reflexão do autor.
A comunicação direta do cronista com o leitor é um recurso estilístico que busca aproximação e engajamento. Ela se manifesta através de elementos linguísticos que interpelam o leitor de forma explícita. Entre as alternativas apresentadas, o uso do imperativo "Vejam" é o único que estabelece essa relação dialógica direta, convidando o leitor à observação e à reflexão sobre a situação exposta pelo autor. As demais opções apresentam narrativas, descrições ou opiniões sem a interpelação explícita do leitor.
Alternativa (B).