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O discurso indireto livre se configura pela mistura entre a voz de um personagem e a do narrador, a exemplo do que ocorre em

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Alternativa (C) - Não adianta discutir com doido, a questão é essa estatua chorando.
A questão aborda o conceito de discurso indireto livre, uma técnica narrativa sofisticada que permite a fusão das vozes do narrador e do personagem, oferecendo ao leitor uma imersão mais profunda nos pensamentos e percepções dos caracteres sem a necessidade de marcadores explícitos de discurso. Esta técnica é fundamental para a construção de narrativas mais fluidas e ambíguas, enriquecendo a perspectiva apresentada.
O discurso indireto livre é caracterizado pela incorporação de pensamentos, falas ou sentimentos de um personagem diretamente na narração, sem o uso de verbos de elocução (como "disse que", "pensou que", "perguntou se") e sem as aspas ou travessões que marcam o discurso direto. Ele se situa em um ponto intermediário entre o discurso direto e o discurso indireto. Sua principal característica é a manutenção de certos traços do discurso do personagem (léxico, entonação, tempo verbal e pessoa) dentro da estrutura narrativa do narrador, criando uma sensação de ambiguidade sobre quem está "falando" ou "pensando". O efeito é uma maior proximidade entre o leitor e a consciência do personagem, permitindo que a voz do personagem seja percebida sem a interrupção formal de uma citação.
Vamos analisar cada alternativa para identificar o exemplo correto de discurso indireto livre:
Alternativa (A): "O homem ficou de pé, apontou pra Santa, abaixou os braços." (4o parágrafo) Esta é uma descrição puramente narrativa das ações do personagem. Não há indicação de pensamentos, sentimentos ou falas do personagem integrados à narração de forma ambígua. É um discurso do narrador sobre o personagem.
Alternativa (B): "— A Santa está com pena de mim." (6o parágrafo) Este é um exemplo claro de discurso direto. O travessão indica a fala exata do personagem, separada da narração, com a primeira pessoa do singular ("mim") e o tempo presente indicando a perspectiva do personagem no momento da fala.
Alternativa (C): "Não adianta discutir com doido, a questão é essa estatua chorando." (9o parágrafo) Esta frase é um excelente exemplo de discurso indireto livre. Observe que:
Alternativa (D): "Saiu correndo, abriu as portas que davam pra frente do altar." (13o parágrafo) Assim como na alternativa (A), esta é uma descrição puramente narrativa das ações de um personagem. É um discurso do narrador que descreve o que o personagem faz, sem incorporar sua voz ou pensamento.
Alternativa (E): "Com muito jeito, muito mesmo, que era pra não ser vista como doida, explicou a situação." (13o parágrafo) Esta frase é uma narração que descreve a ação do personagem e a motivação atribuída pelo narrador a essa ação ("que era pra não ser vista como doida"). Embora o narrador esteja nos dando acesso à intenção da personagem, não é o pensamento direto dela em discurso indireto livre. É mais uma narração com um leve toque de focalização interna, mas não atinge a fusão característica do indireto livre, onde a voz do personagem se impõe sem mediadores explícitos. O narrador está explicando por que ela agiu daquele jeito, e não reproduzindo diretamente o "o que ela pensou".
O discurso indireto livre é uma ferramenta poderosa para aprofundar a caracterização e a perspectiva narrativa, permitindo que a voz do personagem se manifeste dentro da própria narração sem marcadores formais. A alternativa (C) demonstra essa técnica com clareza, ao integrar o pensamento e a percepção do personagem de forma fluida e ambígua com a voz narrativa.
Alternativa (C).