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O mundo romano [...] deixou de existir em algum momen- to indeterminado. Ou melhor, com lentas mudanças, os sécu- los III a V d.C. testemunharam transformações que acabaram resultando no fim do Estado romano. Duas transformações simultâneas são sintomas e causas, a uma só vez, de uma certa continuidade cultural, por um lado, e de uma ruptura política, por outro. (Pedro Paulo Abreu Funari. Roma, 1993.) Um exemplo dessa “continuidade cultural” é

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Alternativa B - o uso do latim, que se tornou a língua oficial da Igreja.
A questão aborda um dos períodos mais complexos e debatidos da história ocidental: a transição entre o mundo romano clássico e a Idade Média, frequentemente descrita como o "fim do Império Romano". Contudo, o historiador Pedro Paulo Abreu Funari, citado no enunciado, argumenta que essa passagem não foi um evento abrupto, mas um processo de lentas transformações (séculos III a V d.C.) que resultaram em uma ruptura política, mas, ao mesmo tempo, mantiveram certas continuidades culturais. A questão busca um exemplo concreto dessa "continuidade cultural".
Os séculos III a V d.C. foram marcados por profundas crises no Império Romano do Ocidente, incluindo pressões bárbaras, instabilidade política, crises econômicas e sociais, e a ascensão do Cristianismo. Essas transformações culminaram na queda do último imperador romano do Ocidente em 476 d.C. e na subsequente formação dos reinos germânicos. Este é o aspecto da "ruptura política": o colapso de uma administração centralizada, de um exército unificado e de uma identidade imperial única.
Paralelamente a essa desintegração política, diversos elementos da cultura romana sobreviveram e se adaptaram, influenciando profundamente as sociedades medievais subsequentes. Essa "continuidade cultural" se manifestou em áreas como o direito, a arquitetura, as técnicas agrícolas e, crucialmente, a língua e a religião. A Igreja Católica, em particular, emergiu como uma instituição poderosa e um dos principais veículos para a preservação e transmissão de aspectos da cultura romana.
Analisemos cada alternativa à luz dos conceitos de ruptura política e continuidade cultural:
(A) a unidade administrativa, base dos reinos germânicos.
(B) o uso do latim, que se tornou a língua oficial da Igreja.
(C) o predomínio do paganismo, apesar da ação dos clérigos.
(D) a vida urbana, que se organizava a partir de leis escritas.
(E) o papel da mulher, cuja influência aumentou na família.
| Aspecto | Ruptura Política | Continuidade Cultural | | :------ | :--------------- | :-------------------- | | Administração | Desintegração imperial, ascensão de reinos fragmentados | Elementos administrativos romanos adaptados | | Língua | Colapso do latim como língua administrativa unificada | Preservação do latim pela Igreja e elites | | Religião | Declínio do paganismo, perseguição religiosa | Ascensão e institucionalização do Cristianismo | | Vida Urbana | Desurbanização, declínio das cidades | - | | Gênero | - | - |
A alternativa (B) é a única que apresenta um exemplo claro e historicamente consolidado de como um elemento fundamental da cultura romana (a língua latina) não apenas sobreviveu à ruptura política, mas foi ativamente perpetuado por uma das instituições mais poderosas do período subsequente, a Igreja.
A queda do Império Romano do Ocidente não significou um fim abrupto de toda a sua cultura. Pelo contrário, muitos de seus aspectos mais duradouros foram assimilados e transformados pelas novas realidades sociais e políticas. A preservação do latim pela Igreja Católica é um exemplo paradigmático dessa continuidade cultural, demonstrando como a civilização romana deixou um legado indelével que moldou a Europa medieval e moderna, mesmo após o desaparecimento de sua estrutura estatal original. A Igreja atuou como uma ponte entre o mundo antigo e o medieval, transmitindo conhecimentos, instituições e, crucialmente, a língua latina.
Alternativa B.