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Observe a charge publicada no jornal O Estado de S.Paulo em outubro de 1962, que mostra o presidente norte-america- no John F. Kennedy, o dirigente soviético Nikita Kruschev e o líder cubano Fidel Castro. (http://m.acervo.estadao.com.br) A charge refere-se

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Alternativa (C) - ao momento mais tenso da bipolarização entre as superpotências.
A charge publicada em outubro de 1962, que retrata os líderes John F. Kennedy (EUA), Nikita Khrushchev (URSS) e Fidel Castro (Cuba), refere-se a um dos eventos mais críticos da Guerra Fria: a Crise dos Mísseis em Cuba. Este episódio, que durou treze dias, colocou o mundo à beira de um conflito nuclear direto entre as duas superpotências globais, Estados Unidos e União Soviética.
A Guerra Fria (1947-1991) foi um período de intensa rivalidade geopolítica e ideológica entre os Estados Unidos, representando o bloco capitalista, e a União Soviética, líder do bloco socialista. Caracterizou-se pela ausência de conflitos militares diretos entre as duas superpotências, mas por uma corrida armamentista (inclusive nuclear), espionagem, propaganda e guerras por procuração em diversas regiões do mundo. A bipolarização ideológica dividia o globo em duas esferas de influência.
A Crise dos Mísseis Cubanos, em outubro de 1962, foi o ponto culminante dessa tensão. Ela teve suas raízes na Revolução Cubana de 1959, que levou Fidel Castro ao poder e estabeleceu um governo socialista aliado à URSS, a apenas 145 km da costa dos EUA. Em resposta à instalação de mísseis nucleares americanos na Turquia e na Itália (apontados para a URSS), e buscando fortalecer sua posição estratégica, a União Soviética secretamente instalou mísseis nucleares de médio alcance em Cuba.
Quando os Estados Unidos descobriram a presença desses mísseis através de voos de reconhecimento, o presidente Kennedy exigiu sua remoção imediata e impôs um bloqueio naval (quarentena) a Cuba para impedir a chegada de mais armamentos soviéticos. O mundo inteiro aguardava apreensivo, pois a recusa soviética em retirar os mísseis ou a tentativa de furar o bloqueio poderiam deflagrar uma guerra nuclear em larga escala, com consequências devastadoras. Após dias de intensas negociações secretas, a URSS concordou em remover os mísseis de Cuba em troca de um compromisso público dos EUA de não invadir Cuba e, secretamente, de retirar seus mísseis da Turquia.
Vamos analisar as alternativas à luz do contexto da Crise dos Mísseis de 1962:
| Alternativa | Análise Detalhada | Status | | :---------- | :--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- | :----- | | (A) ao auge do intervencionismo norte-americano na América Latina. | Embora o intervencionismo dos EUA na América Latina tenha sido uma constante durante a Guerra Fria (e antes), a charge específica de 1962 e os personagens envolvidos (Kennedy, Khrushchev, Castro) apontam para um evento de escala global, a ameaça nuclear direta. O intervencionismo era um pano de fundo, mas não o ponto central ou "auge" retratado. | Incorreta | | (B) ao conflito bélico entre EUA e URSS após a Revolução Cubana. | Esta afirmação é incorreta porque, felizmente, não houve um "conflito bélico" direto entre os EUA e a URSS. A Crise dos Mísseis foi resolvida diplomaticamente precisamente para evitar que tal conflito ocorresse, dada a certeza de uma escalada nuclear. | Incorreta | | (C) ao momento mais tenso da bipolarização entre as superpotências. | Esta alternativa é a mais precisa. A Crise dos Mísseis de Cuba é amplamente reconhecida pelos historiadores como o ápice da tensão na Guerra Fria, o momento em que o mundo esteve mais próximo de uma guerra nuclear direta entre as duas superpotências, demonstrando a extrema fragilidade da paz durante a bipolarização. | Correta | | (D) ao fim da Guerra Fria entre os países capitalistas e os socialistas. | A Crise dos Mísseis ocorreu em 1962. A Guerra Fria terminou oficialmente com a desintegração da União Soviética em 1991. Portanto, esta alternativa está cronologicamente incorreta. | Incorreta | | (E) à consolidação do modelo socialista soviético na América Latina. | Embora a Revolução Cubana tenha levado à consolidação de um modelo socialista em Cuba com apoio soviético, a charge não retrata este processo de consolidação de forma genérica. Ela foca na crise gerada pela presença dos mísseis e pela confrontação direta entre EUA e URSS, que transcende a mera descrição da consolidação de um regime. | Incorreta |
A charge de outubro de 1962, com Kennedy, Khrushchev e Castro, simboliza o perigoso cenário da Crise dos Mísseis Cubanos. Este evento foi o ponto de maior risco de conflito nuclear direto na história, representando o auge da tensão e da bipolarização global entre os blocos capitalista e socialista liderados pelos Estados Unidos e pela União Soviética, respectivamente. A resolução da crise, por meio de negociações secretas e concessões mútuas, evitou uma catástrofe global e levou a uma fase de maior cautela nas relações entre as superpotências, conhecida como "Détente".
Alternativa (C).