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Observe a obra a seguir. Os usurários (1520), de Quentin Massys Acervo da Galleria Doria Pamphilj, em Roma A obra constrói uma representação que remete às conse- quências

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Alternativa D - da intensificação das atividades mercantis e da vida urbana, em meio às transformações da Baixa Idade Média.
A obra "Os usurários" (1520), de Quentin Massys, é um importante documento visual do Renascimento Setentrional, que reflete as profundas mudanças econômicas e sociais que marcaram a transição da Idade Média para a Idade Moderna. A pintura capta uma cena do cotidiano financeiro, ilustrando um aspecto central da vida europeia da época: a ascensão das atividades mercantis e bancárias.
Para compreender a obra de Massys e as consequências que ela representa, é crucial contextualizá-la historicamente. O período que se estende da Baixa Idade Média (séculos XI-XV) até o início do século XVI foi de intensas transformações na Europa:
A obra de Massys, ao retratar um homem e uma mulher absortos na contagem de moedas e no manuseio de livros-caixa, simboliza a emergência dessa nova ordem econômica e os valores a ela associados, como o valor do dinheiro, o trabalho e o acúmulo de capital.
| Alternativa | Análise Crítica | | :---------- | :-------------- | | (A) do poder crescente da nobreza em oposição à decadência dos banqueiros, isolados politicamente no contexto do Estado Moderno. | Incorreta. Este período é marcado pelo crescimento da influência dos banqueiros e da burguesia, que se tornam essenciais para a financiamento dos Estados Modernos. A nobreza, embora ainda poderosa, via seu poder se transformar, e não estava em oposição direta à "decadência" dos banqueiros, mas sim, muitas vezes, em dívida com eles. | | (B) dos primórdios do desenvolvimento do capitalismo industrial, à época da montagem do sistema fabril e do surgimento da classe operária. | Incorreta. O ano de 1520 é muito anterior ao capitalismo industrial, que só se desenvolveria plenamente a partir do século XVIII com a Revolução Industrial. A pintura representa o capitalismo mercantil, ou comercial, característico da fase inicial da acumulação de capital. | | (C) da reaproximação entre a Igreja Católica e os burgueses, no momento em que o protestantismo condenava o lucro e a usura. | Incorreta. A relação entre a Igreja Católica e os burgueses em relação ao lucro e à usura era complexa e cheia de tensões. Embora a Igreja condenasse a usura, ela se beneficiava e dependia financeiramente de banqueiros. O Protestantismo, especialmente o calvinismo (que surgiria um pouco mais tarde e se consolidaria após 1520), teria uma visão mais flexível em relação ao lucro justo e ao investimento, mas a condenação da usura extrema era comum a várias denominações. Não se trata de uma "reaproximação" nesse sentido. | | (D) da intensificação das atividades mercantis e da vida urbana, em meio às transformações da Baixa Idade Média. | Correta. A obra de Massys, pintada em uma das cidades comerciais mais importantes da Europa (Antuérpia), reflete diretamente as consequências das transformações iniciadas na Baixa Idade Média: o renascimento do comércio, a expansão das cidades, a ascensão da burguesia e a crescente importância do dinheiro e das atividades financeiras como empréstimos e câmbios. A cena de contagem de dinheiro é um ícone dessa nova realidade econômica. | | (E) do período do Renascimento, marcado pela afirmação do teocentrismo como princípio moral e pela crítica às ideias de razão e equilíbrio. | Incorreta. O Renascimento foi, de fato, o período da obra, mas foi marcado por uma crescente afirmação do antropocentrismo e do humanismo, que valorizavam a razão, o indivíduo e a busca pelo equilíbrio e beleza clássicos, em contraste com o teocentrismo dominante na Idade Média. Não houve uma "crítica às ideias de razão e equilíbrio", mas sim sua revalorização. |
A pintura "Os usurários" de Quentin Massys é um espelho das transformações econômicas e sociais que pavimentaram o caminho para a modernidade. Ela representa as consequências diretas da intensificação do comércio e da vida urbana que se consolidaram a partir da Baixa Idade Média, resultando na ascensão de uma economia monetária e de uma nova classe social, a burguesia, cujas atividades financeiras eram cruciais, apesar das controvérsias morais da época.
Alternativa D.