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Pirâmide etária brasileira, 1950-2010 (Ana Maria N. Vasconcelos e Marília M. F. Gomes. “Transição demográfica”. In: Epidemiologia e Serviços de Saúde, nº 4, dez. 2012. Adaptado.) Considerando a dinâmica demográfica brasileira entre os anos 1950-2010, podemos afirmar que houve

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Alternativa D - diminuição da taxa de fecundidade, relacionada à aceleração do processo de urbanização.
A questão aborda a dinâmica demográfica brasileira no período de 1950 a 2010, um intervalo de tempo que coincide com a fase mais intensa da transição demográfica no país. A análise da pirâmide etária, embora não visível diretamente nesta resposta, é a ferramenta gráfica fundamental para compreender as transformações na estrutura populacional, refletindo as mudanças nas taxas de natalidade, mortalidade e fecundidade ao longo das décadas.
A transição demográfica é um fenômeno que descreve a mudança de um regime demográfico tradicional, caracterizado por altas taxas de natalidade e mortalidade, para um regime moderno, com baixas taxas de natalidade e mortalidade. No Brasil, entre 1950 e 2010, observou-se uma rápida queda nas taxas de mortalidade (especialmente a infantil) a partir da década de 1940, seguida por uma acentuada queda nas taxas de natalidade e fecundidade a partir das décadas de 1960 e 1970.
Essa transformação foi impulsionada por diversos fatores interligados:
Esses fatores coletivamente levaram a uma reconfiguração da pirâmide etária, que passou de uma base larga (muitos jovens) e topo estreito (poucos idosos) para uma forma mais estreita na base e mais alargada no meio e topo, indicando uma população com menos nascimentos e maior proporção de adultos e idosos.
Vamos analisar cada alternativa à luz do processo de transição demográfica brasileira entre 1950 e 2010:
| Alternativa | Análise | Justificativa | | :---------- | :------ | :------------ | | (A) aumento da taxa de mortalidade, relacionado aos baixos investimentos na previdência social. | Incorreta. | No período em questão, o Brasil experimentou uma drástica diminuição da taxa de mortalidade, especialmente a infantil, devido a melhorias na saúde pública, medicina e saneamento. Baixos investimentos na previdência social são uma questão relevante, mas não foram a causa de um aumento da taxa de mortalidade geral, que de fato diminuiu. | | (B) diminuição da taxa de migração, relacionada às melhores condições econômicas nos países vizinhos. | Incorreta. | A principal dinâmica demográfica interna do Brasil no período foi a migração rural-urbana em grande escala. As taxas de migração internacional são mais complexas e não foram o fator principal por trás da mudança na forma da pirâmide etária de 1950 a 2010. Além disso, a premissa sobre "melhores condições econômicas nos países vizinhos" como causa de diminuição da migração brasileira para fora ou para dentro não se sustenta como o principal motor da dinâmica demográfica interna. | | (C) aumento da taxa de mortalidade infantil, relacionado à escassez de assistência médico-sanitária. | Incorreta. | A taxa de mortalidade infantil diminuiu significativamente no Brasil entre 1950 e 2010. Isso se deve justamente a melhorias na assistência médico-sanitária, campanhas de vacinação, programas de saúde materno-infantil e avanços no saneamento básico. A alternativa descreve o oposto do que de fato ocorreu. | | (D) diminuição da taxa de fecundidade, relacionada à aceleração do processo de urbanização. | Correta. | Esta alternativa descreve um dos pilares da transição demográfica brasileira. A taxa de fecundidade (número médio de filhos por mulher) caiu drasticamente no período, passando de cerca de 6,2 filhos por mulher em 1960 para menos de 2 filhos por mulher em 2010. Essa queda está fortemente associada à urbanização, que trouxe consigo: 1) menor necessidade de mão de obra infantil, 2) maior custo de criação de filhos em ambientes urbanos, 3) maior acesso à educação e informação (especialmente para mulheres), 4) maior participação feminina no mercado de trabalho e 5) maior acesso a métodos contraceptivos. Tudo isso levou as famílias a optarem por ter menos filhos. | | (E) aumento da taxa de natalidade, relacionado à aceleração do desemprego feminino. | Incorreta. | O Brasil, no período analisado (1950-2010), registrou uma diminuição acentuada da taxa de natalidade, reflexo direto da queda na taxa de fecundidade. Além disso, a aceleração do desemprego feminino não seria um fator que levaria a um aumento da natalidade; pelo contrário, a maior participação da mulher no mercado de trabalho (e não o desemprego) é um dos fatores que, combinado com outros, contribui para a redução das taxas de natalidade e fecundidade. |
A dinâmica demográfica brasileira entre 1950 e 2010 foi marcada por uma profunda transição, que resultou em uma significativa mudança na estrutura etária da população. O principal motor dessa transformação foi a acentuada diminuição da taxa de fecundidade, diretamente ligada a fatores como a rápida urbanização, melhorias na educação e saúde, e a crescente inserção da mulher no mercado de trabalho. Essa queda na fecundidade levou a um estreitamento da base da pirâmide etária e a um envelhecimento progressivo da população.
Alternativa D.