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Sabe-se que as cidades são espaços de congregação demográfica que reúnem condições de instalação concentra- da de múltiplas atividades necessárias à produção e repro- dução da vida contemporânea. Esses espaços mostram-se dinâmicos e também contraditórios. O acesso à terra na ci- dade, mais precisamente ao solo urbano, é a chave explica- tiva das grandes questões urbanas. Na cidade, a terra muda constantemente de dono ou de donos e se ajusta aos inte- resses de uma minoria que aposta nos ganhos pautados na acumulação. (José B. Silva. “Mudar a vida, mudar a metrópole”. In: Anita L. Oliveira e Catia A. Silva (orgs.). Metrópole e crise societária, 2019. Adaptado.) A análise sobre a cidade e o urbano apresentada no excerto revela

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Alternativa D - o solo urbano enquanto mercadoria, sujeito à especulação imobiliária que reforça diferenças socioeconômicas.
O excerto apresentado aborda a complexidade e as contradições do espaço urbano, destacando a centralidade do acesso ao solo como fator determinante para as questões sociais e econômicas nas cidades contemporâneas. A análise proposta pelo texto reflete uma perspectiva crítica sobre a produção e reprodução do espaço urbano sob a lógica capitalista.
As cidades são retratadas como centros de concentração demográfica e de atividades vitais, mas também como espaços dinâmicos e contraditórios. O autor argumenta que o acesso à terra na cidade, ou seja, ao solo urbano, é o ponto-chave para compreender os grandes desafios urbanos. Essa perspectiva ressalta que a terra, dentro do contexto urbano, não é apenas um recurso natural, mas uma mercadoria sujeita a transações e interesses econômicos.
O texto enfatiza que a propriedade da terra urbana é volátil, mudando constantemente de mãos e sendo moldada pelos interesses de uma minoria que busca a acumulação de capital. Essa dinâmica de constante mudança de propriedade e a busca por lucros são características marcantes da especulação imobiliária, um fenômeno intrínseco ao desenvolvimento urbano capitalista. A valorização da terra e a acumulação de riqueza por poucos resultam na exclusão de muitos, gerando e intensificando as desigualdades socioeconômicas e os problemas urbanos.
A análise das alternativas em relação ao texto fornecido permite identificar a opção que melhor se alinha com a argumentação do autor:
Alternativa (D) - o solo urbano enquanto mercadoria, sujeito à especulação imobiliária que reforça diferenças socioeconômicas.
Alternativas Incorretas:
| Alternativa | Análise da Relação com o Texto | | :---------- | :---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- | | (A) a produção da cidade como traço cultural, segregadora daqueles que se opõem à lógica capitalista de acumulação. | O texto foca na dimensão econômica e na acumulação de capital, não na cidade como um "traço cultural" primário. Embora mencione contradições e "grandes questões urbanas" (que podem incluir segregação), não se restringe à segregação daqueles que "se opõem", mas sim à exclusão e marginalização decorrentes da lógica de mercado que beneficia uma minoria. | | (B) o cooperativismo como estratégia de mercado, oferecendo às famílias opções mais acessíveis para a compra de imóveis. | O excerto descreve uma dinâmica de "acumulação" de "ganhos" por uma "minoria", que é o oposto da lógica cooperativista. O texto retrata um sistema de mercado que exclui, e não um que oferece acessibilidade. | | (C) a insustentabilidade das ocupações urbanas, espaços que são desestruturados com a ação de políticas de retorno da população ao campo. | Embora a "insustentabilidade" possa ser uma das "grandes questões urbanas", o texto não faz menção a "políticas de retorno da população ao campo". Essa parte da alternativa introduz um elemento externo e não sustentado pelo excerto. | | (E) a desvalorização da propriedade privada, resultado de uma população alienada aos instrumentos oficiais que normatizam os espaços urbanos. | O texto fala em "ganhos pautados na acumulação" para uma minoria, o que implica valorização da terra e não desvalorização da propriedade privada. Além disso, não há menção a uma "população alienada aos instrumentos oficiais", mas sim a uma dinâmica de poder e interesse econômico que molda o uso do solo. |
O excerto de José B. Silva oferece uma interpretação do urbano que prioriza a dimensão econômica e a lógica capitalista de valorização e apropriação do solo. A chave para entender as "grandes questões urbanas" reside na compreensão do solo urbano como uma mercadoria, cujo acesso e propriedade são disputados e controlados por uma minoria em busca de acumulação. Essa dinâmica de mercado e especulação imobiliária é o motor das desigualdades e contradições presentes nas cidades, impactando diretamente a vida e a reprodução da sociedade contemporânea.
Alternativa D.