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Um museu de Londres concordou em devolver ao gover- no nigeriano 72 objetos saqueados de Benin City em 1897. Todos os objetos foram retirados do Reino de Benin, no que hoje é a capital do estado de Edo, no sul da Nigéria, durante uma operação militar britânica em fevereiro de 1897, disse o museu. Os artefatos incluem 12 placas de latão que fazem parte de um gênero conhecido como “bronze do Benin”. Essas esculturas de bronze foram criadas pelo menos desde o século 16 para decorar a corte real em Benin, de acordo com o Museu Britânico. (cnnbrasil.com.br) O saque realizado pelos britânicos em Benin foi uma das expressões

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Alternativa E - da dominação do continente africano pelas potências imperialistas europeias.
A questão aborda o incidente histórico do saque de 72 objetos de Benin City pelos britânicos em 1897, incluindo os famosos "Bronzes de Benin". Este evento é um caso emblemático das relações entre as potências europeias e os reinos africanos durante o período do Imperialismo no final do século XIX, caracterizado pela partilha e exploração do continente africano.
O Imperialismo do século XIX foi um fenômeno complexo impulsionado por uma combinação de fatores econômicos, políticos e ideológicos. As potências europeias, em plena expansão industrial, buscavam novas fontes de matérias-primas, mercados consumidores para seus produtos manufaturados e áreas para investimento de capital excedente. Além disso, havia um forte componente geopolítico, com as nações competindo por prestígio e poder global, e um racial-cultural, expresso na ideologia da "Missão Civilizadora". Esta ideologia defendia que os europeus tinham o dever de "civilizar" os povos não europeus, justificando a intervenção e a dominação.
A Conferência de Berlim (1884-1885) formalizou a partilha da África entre as potências europeias, sem a presença de representantes africanos, inaugurando o período conhecido como "Scramble for Africa". Durante esse processo, reinos e impérios africanos, muitos dos quais com estruturas políticas e culturais sofisticadas, como o Reino de Benin, foram subjugados militarmente. O Reino de Benin, localizado no que é hoje a Nigéria, era conhecido por sua rica tradição artística, especialmente pela metalurgia, que produzia as célebres placas e esculturas de latão e bronze, erroneamente chamadas de "bronzes do Benin".
Vamos analisar as alternativas à luz desse contexto:
A) da missão civilizadora europeia para preservar a cultura africana. A "missão civilizadora" era um pretexto ideológico para a dominação. Na prática, as ações imperialistas frequentemente resultavam na destruição ou desvalorização das culturas locais. O saque de artefatos valiosos, como os de Benin, não visava preservar a cultura africana em seu contexto original, mas sim apropriar-se de seus bens culturais, despojando-os de seu significado e expondo-os em museus europeus como troféus de conquista.
B) do desprezo dos países europeus em relação à produção artística africana. Embora houvesse um racismo generalizado que via as culturas africanas como "primitivas", o ato de saquear e exibir os Bronzes de Benin em museus europeus demonstra um reconhecimento, ainda que distorcido e descontextualizado, do seu valor estético e histórico. Se houvesse puro desprezo, os objetos provavelmente seriam destruídos, não pilhados para coleções. O interesse primário era a posse e o exibicionismo do poder, não um desdém pela arte em si.
C) do equilíbrio entre as forças industriais europeias e os reinos africanos. Esta alternativa está incorreta. A operação militar britânica em Benin em 1897 é um testemunho da enorme disparidade de poder. As potências europeias, com sua superioridade militar e tecnológica decorrente da Revolução Industrial, não enfrentavam um "equilíbrio" de forças, mas sim uma vantagem esmagadora sobre os reinos africanos, que eram frequentemente desarmados ou possuíam armamentos menos sofisticados.
D) da divisão igualitária das riquezas africanas entre os países europeus. A partilha da África não foi "igualitária". Foi um processo competitivo e, por vezes, conflituoso entre as potências europeias, que buscavam maximizar seus próprios ganhos territoriais e econômicos. O saque de Benin foi uma ação militar específica do Império Britânico para seu próprio benefício, não parte de uma distribuição equitativa entre todos os países europeus.
E) da dominação do continente africano pelas potências imperialistas europeias. Esta alternativa é a correta. O saque de Benin foi uma consequência direta da agressão militar britânica, que por sua vez era parte da estratégia maior de dominação e colonização da Nigéria (e de outras partes da África). A apropriação dos artefatos simbolizava a subjugação do Reino de Benin e a integração de seu território e recursos ao Império Britânico. A pilhagem de bens culturais era uma tática comum do imperialismo para desmoralizar os povos conquistados e enriquecer as nações colonizadoras.
O saque de Benin City em 1897 e a consequente apropriação dos "Bronzes de Benin" são um exemplo doloroso e claro da dominação exercida pelas potências imperialistas europeias sobre o continente africano. Esse ato não apenas envolveu a violência militar, mas também a espoliação cultural, que descontextualizou e retirou do seu povo uma parte essencial de sua herança. A atual discussão sobre a repatriação desses objetos reflete a busca por justiça histórica e o reconhecimento do impacto duradouro do imperialismo.
Alternativa E.