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Leia os textos a seguir para responder à questão.
Texto I
“[...] As palavras de conteúdo seriam geralmente mais informativas. A escolha seria maior, elas ativariam mais extensos e diversos materiais cognitivos e poderiam produzir mais emoções e imagens mentais do que as funcionais. Contudo, dizem eles, o produtor pode alternar ou inverter os papéis dos tipos de palavras, podendo ocorrer, por exemplo, palavras funcionais em sequências pouco comuns. [...]” (Fávero, 1985, p. 15).
Fonte: FÁVERO, L. L. A informatividade como elemento de textualidade. Letras de Hoje, Porto Alegre, PUCRS, v. 18, n. 2, p. 13-20, 1985. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fale/article/view/17487 Acesso em: 09 jul. 2024.
Texto II
“[...] Pensando na situação de ensino e aprendizagem que se coloca no contexto escolar, destacamos algumas questões que nos parecem essenciais. Em sentido amplo, trazendo à baila a noção de mediação (VYGOTSKY, 1987), percebemos que, na escola, é o professor, ‘parceiro mais competente’ na relação docente-discente, que engendra uma série de procedimentos articulados, os quais, no seu todo, visam a que o estudante atinja determinados propósitos de aprendizagem. No caso das atividades realizadas na aula de LP, observamos que se organizam em três eixos principais: leitura, produção de texto e gramática, havendo, muitas vezes, ênfase sobre esse último núcleo, o qual, de forma desconectada, passa a ser compreendido como ‘aula de português’, sem que haja a devida inter-relação com leitura e escrita. Assim, os conteúdos gramaticais são postos estritamente como nomenclaturas, sem que o processo conduza para uma reflexão sobre o funcionamento de tais estruturas na produção e compreensão de textos. [...]” (Arnemann; Veçossi, 2018, p. 9).
ARNEMANN, A. R.; VEÇOSSI, C. E. A informatividade na sala de aula: investindo em atividades para a produção de textos argumentativos. Organon, v. 33, n. 64, 2018. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/organon/article/view/81461/48749. Acesso em: 09 jul. 2024.
Com relação a este contexto e sobre o conteúdo estudado, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. As palavras de conteúdo são mais informativas e evocativas de emoções e imagens mentais em comparação com as palavras funcionais, mas suas funções podem ser invertidas pelo produtor.
PORQUE
II. Na educação, a mediação do professor é essencial para conectar gramática, leitura e escrita, evitando que a gramática seja vista apenas como nomenclatura, sem uma reflexão prática.
A respeito dessas asserções assinale a alternativa correta:
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Alternativa C - As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
A questão proposta aborda dois aspectos distintos, porém inter-relacionados no campo da Linguística e da Pedagogia da Linguagem: a informatividade das palavras no contexto textual e a metodologia de ensino da língua portuguesa. O Texto I foca na distinção e no papel das palavras de conteúdo e funcionais na construção da informatividade de um texto, enquanto o Texto II discute a importância da mediação pedagógica do professor para integrar o ensino da gramática com a leitura e a escrita, evitando a descontextualização.
O Texto I, baseado em Fávero (1985), explora o conceito de informatividade na textualidade, diferenciando as palavras de conteúdo (substantivos, verbos, adjetivos, advérbios), que são ricas em significado e capacidade de evocar imagens e emoções, das palavras funcionais (preposições, conjunções, artigos, pronomes), que têm uma função predominantemente gramatical e de conexão. O texto destaca que, embora as palavras de conteúdo sejam geralmente mais informativas, o produtor do texto pode, em situações específicas, inverter ou alternar os papéis, conferindo informatividade a palavras funcionais através de sequências incomuns.
O Texto II, por sua vez, de Arnemann e Veçossi (2018), situa a discussão no contexto escolar, enfatizando a relevância da mediação do professor (referenciando Vygotsky) como "parceiro mais competente" no processo de ensino-aprendizagem. Ele critica a prática comum de ensinar gramática de forma isolada, como um conjunto de nomenclaturas desconectadas da leitura e da produção textual. A proposta é que o ensino da gramática seja integrado, promovendo a reflexão sobre o funcionamento das estruturas linguísticas na compreensão e produção de textos, garantindo, assim, uma aprendizagem mais significativa e contextualizada.
Vamos analisar cada asserção individualmente e, em seguida, a relação proposta entre elas:
I. As palavras de conteúdo são mais informativas e evocativas de emoções e imagens mentais em comparação com as palavras funcionais, mas suas funções podem ser invertidas pelo produtor. Esta asserção está correta, conforme o Texto I. Ele afirma explicitamente que as palavras de conteúdo "seriam geralmente mais informativas", "ativariam mais extensos e diversos materiais cognitivos e poderiam produzir mais emoções e imagens mentais do que as funcionais". Além disso, o texto menciona que "o produtor pode alternar ou inverter os papéis dos tipos de palavras", confirmando a segunda parte da asserção.
II. Na educação, a mediação do professor é essencial para conectar gramática, leitura e escrita, evitando que a gramática seja vista apenas como nomenclatura, sem uma reflexão prática. Esta asserção também está correta, de acordo com o Texto II. O texto destaca a importância do professor como mediador para que o estudante atinja propósitos de aprendizagem, criticando a "ênfase sobre esse último núcleo [gramática], o qual, de forma desconectada, passa a ser compreendido como 'aula de português', sem que haja a devida inter-relação com leitura e escrita". Ele defende que os conteúdos gramaticais devem levar a "uma reflexão sobre o funcionamento de tais estruturas na produção e compreensão de textos".
Relação entre as asserções (PORQUE): Apesar de ambas as asserções serem verdadeiras, a asserção II não justifica a asserção I. A asserção I trata de um conceito da linguística textual que descreve as propriedades e o potencial de informatividade de diferentes tipos de palavras em um texto. É uma constatação sobre o funcionamento da linguagem e da textualidade. A asserção II, por outro lado, aborda uma questão pedagógica e metodológica no ensino de línguas, focando na importância da mediação e da integração de conteúdos para um ensino de gramática mais eficaz e significativo.
Não há uma relação de causa e efeito ou de explicação entre elas. O fato de as palavras de conteúdo serem mais informativas (asserção I) não é justificado pela necessidade de o professor integrar o ensino de gramática, leitura e escrita (asserção II). São verdades independentes que atuam em diferentes domínios: a primeira no domínio da teoria do texto e a segunda no domínio da didática da língua.
Para clarificar a distinção:
| Característica | Asserção I | Asserção II | | :--------------------- | :----------------------------------------------------- | :----------------------------------------------------------------- | | Tema Principal | Informatividade e função dos tipos de palavras no texto | Pedagogia do ensino de Língua Portuguesa e mediação docente | | Domínio de Análise | Linguística textual | Didática/Pedagogia | | Veracidade | Verdadeira, conforme Texto I | Verdadeira, conforme Texto II | | Relação de Justificativa com a outra | Não é justificada pela asserção II | Não justifica a asserção I |
A asserção II descreve uma boa prática pedagógica que poderia, indiretamente, ajudar os alunos a entender melhor como a informatividade funciona na prática, mas não é a razão fundamental pela qual as palavras de conteúdo são mais informativas.
Ambas as asserções são verdadeiras e fundamentadas nos textos apresentados. A asserção I descreve um princípio da informatividade textual relacionado à natureza das palavras, enquanto a asserção II aborda uma prática pedagógica recomendada para o ensino de língua. No entanto, a relação "PORQUE" que as une não se estabelece, pois a verdade de uma não é a causa ou a explicação da outra. Elas representam conceitos válidos em seus respectivos campos, mas sem uma dependência justificativa entre si.
Alternativa C.